Organização dos Estados Americanos na SimSD 2026
As Américas concentram alguns dos índices mais elevados de violência e criminalidade do mundo, em grande parte associados à atuação de organizações criminosas transnacionais que operam através de fronteiras, instituições e economias. Tráfico de drogas, armas e pessoas, lavagem de ativos e corrupção sistêmica são fenômenos que não respeitam soberanias nacionais e desafiam a capacidade de resposta dos Estados de forma isolada. Esse cenário ganhou novos contornos em 2026: a designação do PCC e do Comando Vermelho como Organizações Terroristas Estrangeiras pelos Estados Unidos, a captura militar de Nicolás Maduro em território venezuelano e o lançamento do Escudo das Américas colocaram em debate os limites entre combate ao crime organizado e intervenção soberana.
Nesse cenário, os mecanismos de cooperação interamericana enfrentam tensões estruturais: diferenças entre modelos de segurança adotados pelos Estados-membros, assimetrias de poder e recursos, disputas sobre soberania e não intervenção, e divergências quanto ao papel que organizações multilaterais como a própria OEA devem desempenhar. A crescente presença de atores extrarregionais com interesses econômicos e geopolíticos próprios adiciona uma camada de complexidade que vai além das dinâmicas internas de cada país, tornando ainda mais difícil a construção de respostas coletivas legítimas.
Diante desse quadro, nessa edição da SimSD o debate na OEA propõe que as delegações analise quais arranjos de cooperação regional são viáveis e legítimos diante de interesses tão distintos. Os limites entre soberania e interdependência, entre segurança e direitos, e entre cooperação e ingerência são os eixos centrais sobre os quais o comitê deverá se debruçar.
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